Aumento de Linfonodos (Ínguas): quando é normal e quando investigar
O aumento de linfonodos popularmente conhecido como “íngua” é um achado comum, mas que pode gerar preocupação.
Os linfonodos fazem parte do sistema linfático e atuam como filtros de defesa do organismo.
Eles podem aumentar de tamanho quando o corpo está reagindo a infecções, inflamações ou, em alguns casos, a doenças mais complexas.
Na maioria das vezes, o inchaço é benigno e temporário.
Mas quando persiste ou surge sem causa aparente, é importante uma avaliação com um hematologista para esclarecer o motivo.
O que é o aumento dos linfonodos?
É o aumento de tamanho dos gânglios linfáticos, estruturas pequenas e distribuídas pelo corpo, especialmente no pescoço, axilas e virilhas.
Esse aumento ocorre normalmente devido à ativação do sistema imunológico, que trabalha para combater infecções e outras agressões.
Principais causas de linfonodos aumentados
A avaliação do hematologista é essencial para diferenciar causas benignas de alterações que necessitam tratamento.
Causas benignas e comuns
- Infecções virais (gripe, mononucleose, COVID-19)
- Infecções bacterianas (faringites, amigdalites, infecções dentárias)
- Inflamações na pele
- Vacinas recentes
- Traumas locais
Nesses casos, os linfonodos costumam ser doloridos, móveis e melhoram em poucos dias ou semanas.
Causas que exigem atenção
- Linfomas (Hodgkin e Não Hodgkin)
- Leucemias
- Doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide)
- Infecções específicas (tuberculose, HIV, sífilis)
- Doenças da medula óssea
Nestes casos, os linfonodos podem ser maiores, endurecidos, indolores ou persistentes por mais de 3–4 semanas.
Sintomas de alerta
É importante buscar avaliação médica se o aumento dos linfonodos vier acompanhado de:
- Febre prolongada
- Suores noturnos intensos
- Perda de peso sem explicação
- Cansaço excessivo
- Linfonodos grandes, firmes ou que continuam crescendo
- Linfonodos indolores e persistentes
- Aumento generalizado (em várias regiões do corpo)
Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas requerem investigação.
Como é feito o diagnóstico
O hematologista avalia a localização, consistência, duração e características dos linfonodos.
Os exames podem incluir:
- Hemograma completo
- Exames virais e sorologias
- Ultrassom das regiões afetadas
- Tomografia computadorizada ou PET-CT (quando necessário)
- Exames imunológicos
- Biópsia de linfonodo (padrão-ouro em casos suspeitos)
A biópsia é indicada quando o linfonodo tem características suspeitas ou quando não há causa aparente após a investigação inicial.
Tratamento
O tratamento depende diretamente da causa:
Para causas infecciosas
- Antibióticos
- Antivirais ou tratamento específico
- Controle de foco dentário ou inflamatório
Para causas inflamatórias ou autoimunes
- Terapias imunológicas
- Tratamento da doença de base
Para doenças hematológicas (linfomas e leucemias)
- Quimioterapia
- Imunoterapia
- Terapias-alvo
- Transplante de medula óssea em casos específicos
Quando não há doença significativa
Em casos benignos, apenas observação e acompanhamento são necessários.
Prognóstico
A grande maioria dos aumentos de linfonodos é benigno e se resolve sem complicações.
Quando a causa é infecciosa, a recuperação é rápida com o tratamento adequado.
Nos casos relacionados a doenças hematológicas, o prognóstico depende do tipo e estádio da doença — mas os avanços atuais permitem tratamentos mais eficazes e seguros, com taxas de resposta cada vez melhores.
O mais importante é diagnosticar cedo.
Perguntas frequentes
Reunimos abaixo algumas das dúvidas mais comuns dos pacientes sobre este tema.
As respostas foram elaboradas de forma clara e objetiva para ajudar você a entender melhor o funcionamento da doença, seus sintomas e os cuidados necessários.
Lembre-se: cada caso é único. As informações aqui têm caráter educativo e não substituem uma avaliação individualizada com um especialista.
O que é exatamente uma “íngua”?
É o aumento dos linfonodos, estruturas do sistema imunológico que filtram impurezas e ajudam a combater infecções. Quando ficam aumentados, chamamos de linfonodomegalia.
Toda íngua é sinal de doença grave?
Não. Na maioria das vezes, o aumento dos linfonodos é benigno e causado por infecções simples, como gripes, amigdalites, resfriados ou inflamações locais.
Quando devo me preocupar com um linfonodo aumentado?
Atenção especial quando o linfonodo:
dura mais de 3 a 4 semanas;
é duro, fixo ou muito grande;
não dói;
aparece sem infecção aparente;
cresce progressivamente;
vem acompanhado de febre prolongada, suor noturno ou perda de peso.
Nestes casos, é importante consultar um especialista.
Linfonodos aumentados podem ser câncer?
Podem, mas é minoria. Linfomas e algumas leucemias podem causar aumento de linfonodos, mas a maior parte dos casos é de origem benigna. Apenas a avaliação médica e, quando necessário, uma biópsia podem confirmar o diagnóstico.
Quais exames podem ser necessários para investigar?
O hematologista pode solicitar:
hemograma completo;
ultrassom dos linfonodos;
exames virais (mononucleose, HIV, hepatites);
exames imunológicos;
tomografia ou PET-CT;
biópsia, nos casos suspeitos.
A biópsia de linfonodo dói? É perigosa?
É um procedimento seguro, rápido e geralmente realizado com anestesia local. A biópsia é o exame mais preciso para identificar a causa quando há suspeita de algo mais sério.
O aumento pode ser causado por vacinas?
Sim. Algumas vacinas, especialmente as que estimulam fortemente o sistema imunológico (como a COVID-19), podem causar aumento temporário dos linfonodos, geralmente na região da axila.
Linfonodos aumentados por infecção somem sozinhos?
Na maioria das vezes, sim. Após o fim da infecção, eles tendem a regredir gradualmente em dias ou semanas.
É normal ficar com um linfonodo aumentado por meses?
Linfonodos podem demorar semanas a meses para voltar completamente ao tamanho normal, mesmo após infecções simples.
Porém, se persistirem aumentados sem causa aparente, é importante investigar.