Leucemia Mieloide Crônica (LMC)
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um tipo de câncer do sangue caracterizado pela produção excessiva de glóbulos brancos imaturos na medula óssea.
É uma doença crônica, de evolução lenta, e que teve sua história completamente transformada com o surgimento dos inibidores de tirosina-quinase medicamentos que mudaram o prognóstico dos pacientes e permitiram que muitos tivessem expectativa de vida próxima ao normal.
Hoje, a LMC é considerada um dos maiores exemplos de sucesso da medicina moderna.
O que é a LMC?
A LMC ocorre devido a uma alteração genética adquirida chamada cromossomo Philadelphia, que leva à formação da proteína BCR-ABL.
Essa proteína funciona como um “acelerador preso”, fazendo com que a medula produza glóbulos brancos de forma contínua e descontrolada.
A doença passa por três fases:
- Fase crônica – mais comum no diagnóstico, com evolução lenta
- Fase acelerada – maior instabilidade celular
- Crise blástica – fase agressiva, semelhante à leucemia aguda
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes permanece na fase crônica por toda a vida.
Sintomas mais comuns
Muitos pacientes são assintomáticos no início e descobrem a LMC em exames de rotina.
Quando há sintomas, os mais frequentes incluem:
- Cansaço persistente
- Sudorese noturna
- Perda de peso involuntária
- Sensação de peso no lado esquerdo do abdômen (aumento do baço)
- Febre sem causa aparente
- Desconforto abdominal
- Em casos avançados, anemia e infecções frequentes
A ausência de sintomas não significa ausência de gravidade o acompanhamento é indispensável.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da LMC envolve exames específicos que identificam a doença e ajudam a definir o tratamento:
Exames essenciais
- Hemograma: aumento acentuado de glóbulos brancos
- Mielograma: avaliação da medula óssea
- Exame genético (RT-PCR): identifica o gene BCR-ABL
- Citogenética/FISH: confirma o cromossomo Philadelphia
Esses exames são fundamentais não apenas no diagnóstico, mas também no monitoramento da resposta ao tratamento, que é contínuo.
Tratamento da LMC
O tratamento padrão da LMC é feito com Inibidores de Tirosina-Quinase (ITQ), como:
- Imatinibe
- Dasatinibe
- Nilotinibe
- Bosutinibe
- Ponatinibe
Esses medicamentos bloqueiam a ação da proteína BCR-ABL, controlando a doença de forma eficaz.
Principais objetivos do tratamento
- Reduzir a quantidade de células doentes
- Evitar a progressão para fases avançadas
- Manter a doença controlada a longo prazo
- Permitir vida normal e ativa
Transplante de medula óssea
Hoje é reservado para casos raros, quando:
- A doença não responde aos ITQs
- Há mutações específicas resistentes
- Há progressão para fases avançadas
Com os tratamentos modernos, isso se tornou pouco comum.
Prognóstico
A LMC é um dos exemplos mais positivos da evolução da hematologia.
Com os ITQs:
- Muitos pacientes atingem resposta molecular profunda
- A expectativa de vida pode ser próxima ao normal
- Alguns pacientes podem até interromper o tratamento após anos de resposta sustentada (em casos criteriosamente selecionados)
- A qualidade de vida é geralmente muito boa
O acompanhamento regular é fundamental para avaliar a resposta e ajustar o tratamento.
Perguntas frequentes
Reunimos abaixo algumas das dúvidas mais comuns dos pacientes sobre este tema.
As respostas foram elaboradas de forma clara e objetiva para ajudar você a entender melhor o funcionamento da doença, seus sintomas e os cuidados necessários.
Lembre-se: cada caso é único. As informações aqui têm caráter educativo e não substituem uma avaliação individualizada com um especialista.
LMC tem cura?
Na maioria dos casos falamos em controle, não cura.
Porém, alguns pacientes podem suspender o tratamento após resposta molecular profunda sustentada.
A LMC é hereditária?
Não. A alteração que causa a LMC não é transmitida de pais para filhos.
Preciso tomar os medicamentos para sempre?
Depende. Muitos pacientes seguem em tratamento contínuo; outros, após anos de resposta profunda, podem tentar suspender sob supervisão especializada.
Por que o acompanhamento é tão necessário?
A resposta é monitorada por exames moleculares. Pequenas mudanças podem exigir ajustes no tratamento.
A LMC pode virar leucemia aguda?
Pode, se não for tratada ou se não responder adequadamente.
Com os tratamentos atuais, isso se tornou muito menos comum.